Confesso que ultimamente não tenho passado grande tempo com amigos. Não são aqueles com quem estou todos os dias, não. A grande maioria desses são apenas "conhecidos" e colegas de trabalho. Para grande tristeza minha, com os Amigos não tenho convivido.
A distância, os empregos, as faculdades, as namoradas e namorados, no fundo, as escolhas da vida, fazem com que muitas das vezes não seja possível estar com eles. Ou pelo menos com todos eles e com a frequência que desejo. E isso reflecte-se em mim, na minha maneira de estar, na minha maneira de ser.
Talvez (quase de certeza) por isso mesmo tenho cometido erros. Erros que um dia prometi a alguns deles que não voltaria a cometer. Por algum tempo esqueci-me de valores que cada um deles, ao longo do tempo e á sua maneira, me foram embutindo. Desviei-me do percurso.
Felizmente, e num mero acaso, encontrei uma amiga de longa data. Daquelas que apesar da distância está sempre presente, e de vez em quando aparece como que por magia e faz ficar tudo bem.
Tivemos uma longa conversa. E que falta que ela me fazia.
No meio dessa mesma conversa, ela chamou-me á atenção de alguns erros que eu andava a cometer. Coisas que era impensável ela saber tendo em conta que já não estávamos juntos á bastante tempo..
Eu perguntei: - " Como é que tu sabes disso? Eu já nem me lembrava de te ver! "
Ela, com aquele sorriso "maroto" respondeu com o seu tradicional carisma e personalidade: - " Eu sei de tudo."
Tremi. Os calafrios invadiram-me o corpo. Não queria falar sobre o assunto. Suponho que não a queria preocupar, mas no fundo o que tinha mesmo era medo. Medo de a desiludir. Outra vez.
Mas falei. Sempre com aquele frio na espinha, disse tudo o que tinha a dizer. Ela, nem uma palavra. Nem uma expressão facial. Apenas ia bebendo o seu chá e olhava pa mim. Quando acabei, pedi desculpa.
Ela lá ralhou (bastante) comigo e no fim abraçou-me. O frio desapareceu. O calor daquele abraço dava para aquecer uma cidade inteira. Mais importante que isso, desculpou-me. Pôs-me de volta ao meu percurso. Ao nosso percurso.
Passámos a tarde a rir , a relembrar histórias, a pensar como as coisas poderiam ter sido diferentes se todos nós tivessemos escolhido outros caminhos. Perguntei-lhe, " Será que ainda estaríamos todos juntos? Como será o futuro? Já pensaste? Será que daqui a dez anos ainda nos vamos conhecer uns aos outros? "
Ela respondeu muito sorridente: "O que é que isso interessa? Não estamos juntos agora?"
Despedimo-nos com o tradicional "Até logo."
Fiquei a pensar no que ela disse. Será que não interessa mesmo?
Não. Interessa o hoje. Interessa o ontem.
Com eles bebi, fumei, alucinei, falei. Com eles ri, chorei, critiquei, apoiei. Com eles fugi e voltei. Por eles copiei e a aulas faltei. Com eles lutei. Vencemos algumas vezes, e celebrámos juntos. Perdemos em bastantes, e juntos erguemo-nos de novo. Muitas foram as vezes que juntos errámos. Mas sem dúvida alguma que, foi graças a todos voces, cada um á sua maneira, que hoje sou o que sou.
Com todos vocês, VIVI. Obrigado.
A felicidade plena é uma utopia. Mas se por acaso existisse, com certeza que só a teria com estes amigos.
E garanto não volto a cometer os mesmos erros. Jamais.
