11 de maio de 2010

Saudade

Parece que há lágrimas que não secam nunca. Não sei de onde vêm , tão depressa, ditatoriais, impondo - se quando digo o teu nome, como paga pela veleidade de te enunciar, de te ir enunciando a medo, timidamente, anos depois da tua ausência ( teimam em dizer -me que morreste)

Continuo a ver - te na rua
e nos jardins
e no céu
e nos textos
e nos olhos de despedida do avô

Continuo a ouvir - te cantar e o teu riso habita a porta da tua casa
a tua gargalhada, aquela que me devolvia a alegria e resgatava sempre do sítio mais escuro onde estivesse

Ouves - me?

Sinto - te ao meu lado á lareira, sem trocarmos palavra, aos olhos, a fogueira vai ardendo, os nossos soluços sem idade, a noção da perda, da saudade que já sentíamos um do outro.

Lembro -me das tuas lágrimas - choravas muito por coisas bonitas, o mundo emocionava - te, ensinaste - me isso, esse arrepio de estarmos vivos e testemunharmos a beleza como um roubo, um assalto permitido, a alegria da desobediência, o imperativo de sermos felizes.

Lembro -me das tuas lágrimas- choravas quando se celebrava o amor, pleno, livre ou censurado, o amor verdadeiro, aquilo que nos move.


Não consigo enunciar o teu nome. Evoca -me as lágrimas ditatoriais. Procuro -te, sou pequenino outra vez, dá -me a mão, vamos passear.


Teimam em dizer -me que morreste

Como?! Se continuo a ver - te na rua?

7 de maio de 2010

Regresso

Acho que estou de volta aos posts. Não sei porquê nem por quanto tempo, mas provavelmente irá ser por pouco.


Suponho que depende do que haja por dizer de mim, para mim.